A VÁLVULA APRESENTA:

 

 

 

 

TRIBUTO AO “CIRCO VOADOR”

 

      Os anos 80 marcaram o fim da ditadura militar. Ainda de ressaca desses tempos escuros, a juventude brasileira, aos poucos e timidamente, iniciava a procura pela liberdade de expressão e por uma nova identidade cultural; algo que viesse mostrar que os tempos de otimismo, alegria e leveza finalmente iniciariam.

De repente, ao invés de discursos, pacotes, medo e ameaças, no som do rádio se ouvia: “Ok, você venceu: batata-frita...”. Com um bom humor contagiante, textos despretensiosos e quase teatrais, a banda carioca Blitz ajudava a despachar a truculência dos tempos de chumbo sem disparar um único tiro, e iniciava a era de “anos dourados” do pop e do rock nacionais. Eram os “Tempos Modernos” começando também a ser pilotados por Lulu Santos.

Depois do pontapé inicial, vieram os meninos do Barão Vermelho, mostrando que o rock de garagem não era só pra rodinhas de amigos; os Paralamas do Sucesso fundindo pop, rock, ska e reggae com sotaque de Brasília; o romantismo quase pueril do Kid Abelha e os Abóboras Selvagens; Lobão e os Ronaldos, com a lindíssima e mais executada da década, “Me Chama” .

A democracia se instalava pela cultura. Acabaram-se os tempos de brasileiros como Christian serem obrigados a desperdiçar talento com coisas como “Please, don’t say goodbye”, sem a preocupação de que era isso ou não o que queríamos. Um caminho de volta marcado pelo pop romântico do britânico Ritchie, embalando a juventude com suas etéreas “Meninas – Veneno”: Despudoradamente em português coloquial, começamos a entender que poderíamos fazer rock e pop com a nossa cara e a nossa língua aceitando até sotaques alheios. 

Espaço para todas as tribos: Plebe Rude, Inocentes e Capital Inicial protestavam; Ultraje a Rigor e os futuros – ex – punks do Camisa de Vênus escrachavam; Ira!, Nenhum de Nós e Uns e Outros filosofavam... eram os Titãs do moderno iê iê iê transformando o espírito jovem brasileiro numa imensa Legião Urbana, num convite irresistível a botar o pé na estrada na Infinita Highway que se abria à frente.

Mesmo com alguns desses heróis morrendo de overdose, alguns inimigos permanecendo no poder e o nosso prazer virando risco de vida, essa geração dourada não deixou apenas saudade. Nas décadas que se seguiram, quem não foi diretamente influenciado por esses meninos e meninas pôde usufruir a abertura iniciada por eles: saber que podíamos ser felizes sendo nós mesmos, sem vergonha e sem culpa de sermos brasileiros e de fazer as coisas com a nossa cara e jeito.

Das bandas e artistas que embalaram essa geração, algumas ainda continuaram na estrada fazendo história; outras retornaram com a mesma força de mais de vinte anos atrás, provando que desde a jovem guarda, esse foi o maior movimento musical do país.

Com a mesma alegria e leveza que marcaram essa época, a banda A VÁLVULA, única banda da cidade totalmente dedicada a TRIBUTOS, trará de volta o mais influente e melhor som nacional que rolou nos oitenta. Sem saudosismo, mas com um apaixonado sentido de resgate, a pulsação valvulada, poética e elétrica dessa banda natalense promete uma incrível e autêntica viagem de volta ao “ Circo Voador ”.

Para quem pôde acompanhar os três meses de sucesso do Tributo a Cazuza feito pela banda entre Julho e Setembro, não resta a menor dúvida de que esse será mais um tributo memorável. As válvulas se acenderão para o melhor do rock outra vez.

 

 

Ø                 LEIA TAMBÉM: TIM KAWASAKI E A GERAÇÃO “CIRCO VOADOR”.




A Válvula agradece a todos que prestigiaram o Tributo.

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