
TIM KAWASAKI E A GERAÇÃO “CIRCO VOADOR”
Você pode ter poucas coisas a lembrar sobre as tantas coisas
que se ouve dia após dia no rádio; mas tem uma que certamente não sai da sua
cabeça: “bye, bye, so long, tchauzis!” Essa frase impagável colou em nossos ouvidos arregalados
desde há mais de vinte anos.
Foi lá pelos idos de 81 ou 82, sei lá... Eu e meu velho
companheiro, um antigo rádio à válvula, fomos surpreendidos por um cara de voz
inconfundível e o estranho sobrenome de motocicleta veloz.
Era um início de tarde como outro qualquer. Sintonizando a Rádio Poti AM, rolou aquela mágica antiga que só o rádio era capaz de fazer: com uma música-tema antológica e um locutor contagiante, meus olhos pregados e ouvidos arregalados começavam a ser definitivamente marcados por um dos melhores programas musicais do rádio que nossa terrinha já teve: Tim Kawasaki e o Flash Back.
Foi nessa época que, além de curtir velhas
pérolas do fundo do baú, eu e minha geração fomos apresentados e passamos a ter
intimidade sonora com aqueles que viriam a ser os novos ícones da música jovem
brasileira: Lulu Santos, Blitz, Barão Vermelho, Lobão, Legião Urbana, Paralamas
do Sucesso, Engenheiros do Hawaii (ele era o único que pronunciava “rauái”
mesmo!), e todos os outros que fizeram a cabeça de uma geração inteira.
Poderia-se até dizer “bem, mas como tudo
passou a ser sucesso, todas as rádios tocavam isso”. Não deixa de estar certo,
mas a diferença é que o Tim era o cara que entendia do que falava, o que,
convenhamos, é coisa rara até os dias de hoje, onde a tônica é contribuir com a
desinformação, subestimando a inteligência e o bom gosto dos ouvintes.
Não era apenas um locutor de rádio, mas um
cara que transformou o som pop da época em cultura ao chamar atenção
para o conteúdo poético das canções, à qualidade sonora das músicas e informar
sobre o histórico, curiosidades e tudo que havia de relevante na carreira
daqueles então “iniciantes”.
No seu programa tive a oportunidade de
escutar entrevistas ao vivo com Lobão, então recentemente desligado dos
Ronaldos e fazendo seu primeiro show em Natal, na “Festa do Boi” com a banda
batizada por ele de “Os Mutuários”. Nessa entrevista, Lobão soltou a pérola que
ficou na minha memória: “Kawasaki... nome maneiro; é nome de motocicleta de corrida
(riso)...de motocicleta...”
Entrevistou no mesmo estúdio Cazuza
liderando o Barão Vermelho que explodia no momento com o LP que virou turnê
nacional e que seria apresentado em Natal naquele dia – Maior Abandonado. Ao
final da entrevista, Caju mandou algo como “valeu Kawasaki, valeu rapêizi,
agora eu vou correndo comer uma carne de sol e curtir um pouco do sol desta
cidade que eu adoro”.
Estas são apenas duas pequenas amostras do
que o bom e velho Tim foi capaz de fazer nessa sua carreira brilhante. Foi
certamente por ter todo esse know-how e competência que fora escolhido como um
dos primeiros vindos de uma AM a pilotar os microfones de uma FM aqui na terra.
Nesses nossos tempos recentes, reaparecendo
na 103, Kawasaki reacende a chama de uma era de ouro com o “De Volta ao Circo
Voador”. Foi o resgate de uma geração dourada e daquele que foi o maior
comunicador de rádio de minha geração.
A comunicação com energia, o bom humor,
alegria, mas com inteligência e conhecimento de causa, estavam de volta ao nosso
dial. Os telefonemas, e-mail e as velhas cartas, atestam que a relação
de Kawasaki com seu público é de uma intimidade rara no rádio atual, só
possível quando há identidade entre o comunicador e o público.
Esse depoimento é dado por uma cara que
viveu todo esse momento, que sempre teve uma cultura musical de rádio, popular,
e que fala como um fã de um outro camarada que foi o primeiro responsável por
tornar o espírito do rádio natalense verdadeiramente jovem.
Mais do que um depoimento é uma homenagem
àquele que foi o principal elo de ligação entre nós, o público ouvinte, e
aqueles que viriam a ser os ídolos de toda uma geração até os dias de hoje, o
cara que transformou o espírito pop em cultura na nossa cidade.
No mês de seu aniversário, TIM KAWASAKI, este é um presente humilde e extremamente
sincero meu, de minha banda e de todo seu público que, tenho certeza, gostaria
de poder brindá-lo pessoalmente. Feliz Aniversário.
VIDA
LONGA AO KAWASAKI, VIDA LONGA AO ROCK BRAZUCA, VIDA LONGA AO ROCK’N’ROLL!!!
Marco Navarro
– compositor, baixista d’A Válvula.

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